- Área de tecnologia principal: M365 | Copilot
- Áreas de tecnologia adicionais: Business Applications | Copilot Studio
- Dados do autor: https://linktr.ee/edupopov
A adoção de agentes de inteligência artificial nas organizações ampliou a necessidade de acompanhar não apenas a qualidade das respostas, mas também o consumo dos recursos computacionais envolvidos em cada interação.
Em projetos desenvolvidos no Microsoft Copilot Studio, esse acompanhamento é particularmente importante porque diferentes recursos, modelos de linguagem e fontes de conhecimento podem gerar níveis distintos de consumo.
O Centro de Administração do Power Platform oferece uma visão centralizada desse uso, permitindo que administradores identifiquem quais agentes estão consumindo mais recursos, quais funcionalidades estão sendo acionadas e quanto desse consumo está sendo efetivamente cobrado.
Tokens e Copilot Credits não são exatamente a mesma coisa
Antes de analisar o relatório, é necessário esclarecer uma diferença conceitual importante.
Os modelos de linguagem processam informações por meio de tokens. Um token pode representar uma palavra inteira, parte de uma palavra, um número, um sinal de pontuação ou outro pequeno fragmento de texto. Tanto as instruções enviadas ao modelo quanto a resposta produzida são convertidas em tokens.
Entretanto, o Centro de Administração do Power Platform não apresenta, em todas as situações, uma simples contagem bruta de tokens. A principal unidade administrativa e comercial exibida pela plataforma é chamada de Copilot Credit.
Os Copilot Credits representam a unidade utilizada pela Microsoft para medir o uso dos agentes. A quantidade consumida depende da arquitetura do agente, da frequência das interações e dos recursos utilizados durante o processamento de cada solicitação. Uma única pergunta pode acionar mais de um componente e, consequentemente, gerar diferentes registros de consumo.
Dessa forma, ao perguntar quantos tokens um agente está consumindo, a resposta tecnicamente mais adequada é: o Power Platform permite acompanhar o consumo por meio dos Copilot Credits, sendo possível relacioná-los aos tokens apenas nas funcionalidades cuja cobrança é calculada por volume de texto processado.
Como acessar o consumo do agente
O acompanhamento deve ser realizado por um usuário com permissões administrativas no ambiente ou no locatário.
No Centro de Administração do Power Platform, siga estas etapas:
- Acesse o Centro de Administração do Power Platform.
- No menu lateral, selecione Licenciamento.
- Em produtos, escolha Copilot Studio.
- Na página de resumo, selecione Gerenciar agentes.
- Localize o agente que deseja analisar.
- Clique sobre o agente ou utilize a seta de expansão para visualizar os detalhes.
- Se necessário, altere o período de análise, como mês até hoje.
Dependendo da atualização aplicada ao locatário, essa mesma área também pode aparecer agrupada no menu Copilot, seguindo o caminho Copilot Studio > Agentes, como apresentado na imagem deste artigo.
A página de gerenciamento permite pesquisar agentes, consultar o ambiente ao qual pertencem, visualizar os créditos cobrados no mês e identificar se algum limite de consumo foi configurado. Também é possível verificar estados como “dentro do limite”, “próximo do limite” ou “acima do limite”.
Entendendo as informações apresentadas
Ao expandir um agente, o relatório apresenta diferentes colunas que ajudam a compreender a origem do consumo.
Canal
A coluna Canal indica onde o agente está sendo utilizado. Um agente pode ser publicado no Microsoft Teams, em um site, em uma aplicação personalizada ou em outros canais compatíveis.
Essa informação é importante porque permite relacionar o consumo ao contexto de uso. Um agente publicado no Teams para toda a organização, por exemplo, pode apresentar um volume de interações muito superior ao de um agente utilizado apenas por uma pequena equipe.
Recursos faturáveis
A coluna Recursos faturáveis identifica quais funcionalidades foram acionadas pelo agente. Entre os exemplos que podem aparecer estão:
- Generative answer;
- Graph grounding;
- Classic answer;
- Text and generative AI tools;
- ações executadas pelo agente;
- ações provenientes de fluxos do agente.
Uma única conversa pode utilizar vários desses componentes simultaneamente. Um agente pode consultar uma fonte corporativa, processar o conteúdo recuperado com um modelo de linguagem e, posteriormente, gerar uma resposta. Cada uma dessas etapas pode produzir seu próprio registro de consumo. A Microsoft informa, por exemplo, que uma interação baseada no Microsoft Graph pode combinar créditos de fundamentação com créditos de resposta generativa.
LLM
A coluna LLM apresenta o modelo de linguagem utilizado no processamento, quando essa informação se aplica ao recurso faturável.
Essa identificação é relevante porque modelos diferentes podem ter taxas distintas. Modelos voltados a raciocínio avançado, planejamento ou análise de múltiplas etapas geralmente demandam maior capacidade computacional do que modelos destinados a tarefas mais simples.
Por esse motivo, dois agentes que recebem a mesma quantidade de perguntas podem apresentar consumos bastante diferentes. O resultado dependerá do modelo utilizado, do tamanho dos prompts, da extensão dos documentos consultados e do volume das respostas produzidas.
Copilot Credits
A coluna Copilot Credits apresenta o consumo total atribuído àquele recurso.
Esse número representa a atividade processada pelo agente, independentemente de ela ter resultado ou não em cobrança adicional. Ele é especialmente útil para análises técnicas, comparação entre agentes e identificação de funcionalidades que estejam consumindo mais capacidade do que o esperado.
Crédito cobrado
A coluna Crédito cobrado mostra a parcela do consumo que foi efetivamente contabilizada para cobrança ou deduzida da capacidade contratada.
Nem todo crédito consumido precisa resultar em cobrança adicional. Determinados cenários internos, autenticados por usuários que possuem uma licença elegível do Microsoft 365 Copilot, podem estar incluídos no licenciamento, observadas as condições definidas pela Microsoft.
Na imagem utilizada neste artigo, o agente registrou:
- 895,61 Copilot Credits consumidos;
- 741,53 créditos cobrados;
- 82,8% do consumo classificado como cobrado.
Isso significa que 154,08 créditos foram processados, mas não aparecem como créditos cobrados naquele período. A separação entre consumo total e consumo cobrado é importante porque evita a interpretação equivocada de que todo processamento realizado necessariamente produzirá uma cobrança adicional.
Fonte de conhecimento
A coluna Fonte de conhecimento permite verificar de onde o agente recuperou as informações usadas para produzir as respostas.
No exemplo apresentado, aparece o recurso SharePointSiteSearch, indicando que o agente realizou pesquisas em fontes hospedadas no SharePoint. Consultas em fontes corporativas podem ampliar o contexto enviado ao modelo e, dependendo da configuração, influenciar o volume de processamento necessário.
Usuários
A coluna Usuários apresenta a quantidade de usuários associada ao consumo registrado.
Esse dado ajuda a avaliar se o crescimento do consumo é consequência de uma adoção maior do agente ou de uma configuração interna pouco eficiente. Um consumo elevado para poucos usuários pode indicar prompts extensos, respostas excessivamente longas, repetição de chamadas ou utilização frequente de modelos mais avançados.
Como relacionar Copilot Credits e tokens
Para respostas clássicas, respostas generativas, fundamentação no Microsoft Graph e ações do agente, a cobrança pode ocorrer por evento ou funcionalidade. Nesses casos, não é correto converter diretamente os créditos em tokens.
A relação direta aparece principalmente nos recursos classificados como Text and generative AI tools, cuja cobrança pode considerar milhares de tokens processados. De acordo com a tabela vigente da Microsoft, as referências são:
| Categoria do modelo | Consumo por mil tokens |
|---|---|
| Modelo básico | 0,1 Copilot Credit |
| Modelo padrão | 1,5 Copilot Credits |
| Modelo premium | 10 Copilot Credits |
Essas taxas devem sempre ser confirmadas na documentação vigente, pois podem ser atualizadas pela Microsoft.
Quando a categoria do modelo é conhecida, pode-se realizar uma estimativa:
Tokens estimados = Copilot Credits ÷ taxa do modelo × 1.000
Por exemplo, um recurso classificado como modelo padrão que tenha consumido 150 Copilot Credits representaria aproximadamente:
150 ÷ 1,5 × 1.000 = 100.000 tokens
Essa fórmula somente deve ser aplicada aos registros baseados em tokens. Ela não pode ser utilizada indiscriminadamente sobre o total geral do agente, pois esse total pode reunir respostas clássicas, pesquisas em fontes de conhecimento, ações, fundamentação e outras operações com critérios próprios de contabilização.
Por que alguns agentes consomem mais?
O consumo não depende apenas da quantidade de usuários. Ele também é influenciado pela forma como o agente foi projetado. Por exemplo, se você pediu para que o agente leia e interprete arquivos PDF não estruturados no SharePoint em vez de arquivos .csv e Markdown, o consumo de créditos explode.
Entre os principais fatores estão o tamanho das instruções, a quantidade de informações recuperadas das fontes de conhecimento, o histórico enviado em cada interação, a extensão das respostas, o modelo selecionado, a quantidade de ações executadas e o número de chamadas realizadas durante uma única conversa.
Um agente que consulta diversos documentos, utiliza um modelo premium e executa várias ações pode consumir muito mais créditos do que um agente que responde com conteúdos previamente definidos.
Portanto, a análise deve considerar três dimensões: volume de utilização, complexidade do processamento e valor entregue ao negócio.
Boas práticas para controlar o consumo
O monitoramento deve ser realizado de maneira periódica, preferencialmente comparando agentes, ambientes e períodos distintos. O Centro de Administração do Power Platform disponibiliza dados diários do mês atual, informações dos dois meses completos anteriores e dados mensais que podem abranger os últimos 12 meses.
Também é recomendável:
- reduzir instruções desnecessariamente extensas;
- restringir as fontes de conhecimento ao contexto realmente necessário;
- evitar chamadas repetidas para a mesma informação;
- utilizar respostas clássicas quando o conteúdo precisar ser fixo;
- selecionar modelos avançados apenas quando a tarefa justificar;
- acompanhar separadamente os créditos consumidos e os créditos cobrados;
- definir limites mensais para agentes com comportamento imprevisível.
O Power Platform permite configurar limites individuais de consumo, alertas de aproximação do limite e até a interrupção automática do agente quando o valor definido for alcançado. Esses controles podem ser aplicados tanto a ambientes com capacidade pré-paga quanto aos configurados no modelo de pagamento conforme o uso.
Considerações finais
Conhecer o consumo de um agente é uma atividade essencial para a governança de soluções baseadas em inteligência artificial. O Centro de Administração do Power Platform fornece informações suficientes para identificar quais agentes, recursos, modelos e fontes de conhecimento estão gerando consumo.
Contudo, é importante não tratar tokens e Copilot Credits como conceitos equivalentes. Os tokens representam o volume textual processado pelos modelos de linguagem, enquanto os Copilot Credits constituem a unidade administrativa utilizada para contabilizar diferentes funcionalidades do Copilot Studio.
A análise conjunta dessas informações permite compreender o comportamento do agente, identificar oportunidades de otimização e estabelecer limites compatíveis com o orçamento da organização. Dessa maneira, o acompanhamento de consumo deixa de ser apenas uma atividade financeira e passa a fazer parte da arquitetura, da governança e da melhoria contínua dos agentes corporativos.