Governança de Agentes de IA no Power Platform: O Papel do Global Secure Access (GSA) na Segurança e Controle do Copilot Studio

 

  • Área de tecnologia principal: Business Applications | Copilot Studio
  • Áreas de tecnologia adicionais: Security
  • Dados do autor: https://linktr.ee/edupopov

Introdução

A rápida adoção de agentes de inteligência artificial transformou a forma como organizações acessam informações, automatizam processos e interagem com sistemas corporativos. O que antes dependia exclusivamente de aplicações tradicionais e da intervenção humana passou a ser executado por agentes capazes de consultar bases de conhecimento, acessar APIs, interagir com sistemas externos e realizar ações de forma autônoma.

Nesse contexto, surge um novo desafio: como garantir que esses agentes operem dentro dos mesmos padrões de segurança, conformidade e governança exigidos para usuários humanos?

A tela apresentada abaixo ilustra justamente esse cenário. Nela, observa-se o Centro de Administração do Power Platform, responsável pela administração centralizada de ambientes, aplicações, fluxos, conectores e agentes desenvolvidos no ecossistema Microsoft. A recomendação destacada refere-se à ativação do Global Secure Access (GSA) para agentes do Copilot Studio, uma funcionalidade destinada a ampliar a visibilidade e o controle sobre as comunicações realizadas por agentes de inteligência artificial. 

O que é o Centro de Administração do Power Platform?

O Centro de Administração do Power Platform representa a camada de governança da plataforma de baixo código da Microsoft. É por meio dele que administradores definem políticas, monitoram ambientes, controlam recursos e acompanham o comportamento dos componentes que formam o ecossistema Power Platform.

A partir desse portal é possível administrar:

  • Power Apps;
  • Power Automate;
  • Power Pages;
  • Microsoft Copilot Studio;
  • Ambientes de desenvolvimento, homologação e produção;
  • Conectores personalizados;
  • Recursos de segurança e conformidade.

Mais do que uma ferramenta operacional, o portal atua como um centro de governança, permitindo equilibrar inovação e controle corporativo.

Na imagem analisada, o administrador está visualizando recomendações relacionadas aos ambientes que hospedam agentes do Copilot Studio, demonstrando uma preocupação crescente com a governança dos recursos de inteligência artificial.

O Copilot Studio e a nova geração de agentes corporativos

O Microsoft Copilot Studio foi concebido para permitir a criação de agentes conversacionais e agentes autônomos capazes de interagir com diferentes fontes de informação.

Esses agentes podem:

  • Consultar documentos corporativos;
  • Utilizar informações disponibilizadas pelo Microsoft Graph;
  • Executar chamadas para APIs externas;
  • Consumir serviços em nuvem;
  • Interagir com plataformas de terceiros;
  • Utilizar conectores personalizados;
  • Integrar-se a servidores MCP (Model Context Protocol).

Esse modelo amplia significativamente a capacidade operacional dos agentes, mas também cria um novo vetor de risco. Diferentemente de um colaborador humano, um agente pode executar milhares de requisições em um curto intervalo de tempo, acessar múltiplos sistemas simultaneamente e consumir recursos externos de forma automatizada.

Sem mecanismos adequados de supervisão, torna-se difícil compreender exatamente quais destinos estão sendo acessados e quais informações estão trafegando entre o agente e os sistemas externos.

O que é o Global Secure Access (GSA)?

O Global Secure Access pode ser entendido como uma camada de segurança intermediária entre os agentes de IA e os recursos externos que eles acessam.

Em vez de permitir que o agente se comunique diretamente com a Internet ou com serviços externos, o tráfego passa por uma infraestrutura de inspeção e controle que possibilita a aplicação de políticas de segurança corporativas.


Quando utilizar o GSA?

Embora o recurso possa ser habilitado em qualquer ambiente que utilize agentes do Copilot Studio, sua adoção torna-se especialmente importante quando os agentes realizam comunicações externas.

Alguns exemplos incluem:

  • Consultas a APIs públicas;
  • Integrações com fornecedores externos;
  • Acesso a plataformas SaaS;
  • Consumo de serviços hospedados em nuvens distintas;
  • Uso de conectores personalizados;
  • Comunicação com sistemas legados expostos por APIs.

Nesses cenários, existe uma dependência crescente de recursos que estão fora da fronteira tradicional de segurança da organização.

O GSA passa a fornecer uma camada de observabilidade e controle que normalmente não estaria disponível para um agente operando de forma direta.

Você pode habilitar o GSA em Workspaces específicos (não precisa habilitar para todo o ambiente). A figura abaixo demonstra o processo de ativação do GSA para 04 ambientes específicos. 


Por que utilizar o GSA?

A importância do GSA está relacionada à evolução do conceito de segurança corporativa.

Historicamente, as políticas de segurança foram desenvolvidas pensando em pessoas. Usuários autenticados acessavam sistemas, faziam downloads, enviavam arquivos e navegavam na Internet.

Com a popularização dos agentes de IA, surge uma nova entidade operacional dentro das organizações: o agente autônomo.

Embora não seja uma pessoa, ele também:

  • Consome dados;
  • Compartilha informações;
  • Realiza consultas;
  • Interage com sistemas externos.

Consequentemente, torna-se necessário aplicar aos agentes os mesmos princípios de controle já utilizados para usuários humanos.

Nesse sentido, o GSA permite que a organização:

  • Monitore o tráfego gerado pelos agentes;
  • Registre acessos e comunicações;
  • Detecte comportamentos anormais;
  • Aplicque políticas consistentes de segurança;
  • Amplie sua capacidade de auditoria.

A relação entre GSA e o modelo Zero Trust

Um dos aspectos mais relevantes do Global Secure Access é seu alinhamento com a arquitetura Zero Trust.

O princípio fundamental do Zero Trust consiste em não confiar automaticamente em nenhum elemento da infraestrutura, independentemente de sua origem.

Sob essa perspectiva, um agente de IA também não deve ser considerado confiável apenas por ter sido criado dentro da organização.

As ações executadas pelo agente precisam ser verificadas, monitoradas e registradas da mesma forma que ocorre com usuários, dispositivos e aplicações.

Ao encaminhar o tráfego dos agentes por meio do GSA, a organização passa a tratar esses componentes como entidades sujeitas às mesmas políticas de inspeção e validação utilizadas em sua estratégia de segurança corporativa. 

A importância estratégica para a governança de IA

Organizações que estão construindo agentes especializados para áreas como atendimento, jurídico, tecnologia, recursos humanos, marketing ou análise de dados precisam pensar além da simples funcionalidade da solução.

A pergunta deixa de ser apenas:

"O agente consegue executar a tarefa?"

e passa a incluir outras questões fundamentais:

  • O agente está acessando apenas os recursos autorizados?
  • Existe rastreabilidade das ações executadas?
  • É possível identificar incidentes de segurança?
  • Existe capacidade de auditoria?
  • O tráfego está aderente às políticas corporativas?

O Global Secure Access surge justamente para responder essas perguntas.

Sua função não é tornar o agente mais inteligente. Sua finalidade é tornar o agente mais governável.

Em ambientes corporativos maduros, a governança de inteligência artificial tende a se tornar tão importante quanto a própria inteligência artificial. À medida que os agentes assumem atividades cada vez mais críticas para o negócio, mecanismos de visibilidade, controle e segurança deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos fundamentais.

Conclusão

O crescimento do uso de agentes de IA impõe novos desafios às áreas de tecnologia, segurança e governança. O Microsoft Copilot Studio fornece uma plataforma poderosa para criação desses agentes, enquanto o Centro de Administração do Power Platform oferece os mecanismos necessários para seu gerenciamento operacional.

Entretanto, à medida que os agentes passam a interagir com sistemas externos, APIs e recursos distribuídos, a necessidade de monitoramento e controle torna-se inevitável.

Nesse cenário, o Global Secure Access representa uma evolução natural da estratégia de governança corporativa. Ao criar uma camada de inspeção entre os agentes e os recursos externos, o GSA amplia a visibilidade operacional, fortalece os controles de segurança e contribui para a implementação de uma arquitetura alinhada aos princípios modernos de confiança zero.

Mais do que um recurso técnico, o GSA deve ser entendido como um componente estratégico para organizações que desejam escalar o uso de inteligência artificial mantendo elevados níveis de conformidade, rastreabilidade e proteção da informação.

Fontes utilizadas: Microsoft Learn sobre Global Secure Access para agentes do Copilot Studio e documentação técnica Microsoft relacionada à integração entre GSA, Secure Web e AI Gateway.



Postar um comentário

Comente sem faltar com respeito - ;-)

Postagem Anterior Próxima Postagem