Evento Tech Week da FATEC de Bauru, falando sobre IA aplicada ao mundo real.

 


GitHub Copilot, OpenAI Codex, Google AI Studio e Lovable: ferramentas diferentes, um mesmo objetivo — transformar ideias em soluções reais.

Tive o prazer de participar como palestrante da Tech Week da FATEC de Bauru, um evento dedicado à tecnologia, inovação e compartilhamento de conhecimento.

Durante minha apresentação, tive a oportunidade de conversar com os participantes sobre um dos assuntos que mais têm despertado meu interesse nos últimos anos: a utilização da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio à criação de aplicações, automação de tarefas e desenvolvimento de soluções tecnológicas.

Mas, dessa vez, quis ir além dos conceitos teóricos.

Minha proposta foi demonstrar, na prática, como ferramentas de IA generativa podem ajudar a transformar uma ideia em uma aplicação funcional, mesmo quando partimos de uma necessidade cotidiana.

E, para isso, escolhi exemplos que fazem parte da realidade de muitas pessoas: cuidar dos nossos animais de estimação, organizar informações e até criar jogos.


Quando uma ideia se transforma em software

Imagine que você tenha um ou vários animais de estimação e queira organizar melhor a rotina deles.

Controle de vacinas, alimentação, consultas veterinárias, medicamentos, peso, histórico de saúde e despesas são informações que normalmente acabam distribuídas entre anotações, aplicativos diferentes, documentos e mensagens.

Por que não transformar essa necessidade em uma aplicação personalizada?

Durante a palestra, utilizei esse cenário para demonstrar como a Inteligência Artificial pode auxiliar no planejamento, na construção de interfaces e na geração de código.

Exploramos a ideia de criar uma aplicação web capaz de centralizar os principais cuidados com nossos pets, utilizando tecnologias modernas e ferramentas de IA como assistentes de desenvolvimento.

O objetivo não era simplesmente pedir que uma IA criasse uma tela bonita. Era mostrar aos participantes como descrever uma necessidade, organizar requisitos, escolher tecnologias, orientar a geração de código e avaliar o resultado.

Afinal, uma aplicação precisa fazer muito mais do que impressionar visualmente: precisa funcionar!

GitHub Copilot e Codex: a IA como parceira no desenvolvimento

Uma das partes da apresentação foi dedicada ao GitHub Copilot e ao OpenAI Codex.

Essas ferramentas demonstram como a relação entre desenvolvedores e código está passando por uma transformação significativa.

Com o GitHub Copilot, podemos utilizar a Inteligência Artificial para auxiliar na escrita de funções, compreender trechos de código, sugerir melhorias, identificar possíveis problemas e acelerar tarefas repetitivas.

Já o Codex permite explorar fluxos mais abrangentes de desenvolvimento, envolvendo interpretação de requisitos, criação e modificação de arquivos, implementação de funcionalidades e execução de testes, conforme o ambiente e as permissões disponíveis.

Durante a demonstração, destaquei uma questão importante:

A qualidade da solução gerada pela IA está diretamente relacionada à clareza dos requisitos, ao contexto fornecido e à capacidade de validar tecnicamente aquilo que foi produzido.

Não basta escrever "crie um sistema para cuidar dos meus pets".

Precisamos explicar quais dados serão armazenados, como os módulos devem funcionar, quais tecnologias serão utilizadas, como a informação será persistida e o que esperamos da experiência do usuário.

É nesse momento que o conhecimento técnico continua fazendo toda a diferença.



Gemini e Google AI Studio: explorando novas possibilidades

Também apresentei possibilidades utilizando o Gemini por meio do Google AI Studio, ambiente do Google voltado à experimentação e ao desenvolvimento de soluções com modelos de Inteligência Artificial.

O interessante é perceber como podemos utilizar diferentes ferramentas para estudar abordagens, estruturar soluções, produzir exemplos de código e explorar recursos que vão além de um chatbot tradicional.

O Google AI Studio permite experimentar modelos, trabalhar com instruções e testar possibilidades de integração com aplicações.

Essa diversidade de ferramentas foi um dos pontos centrais da palestra: não precisamos enxergar as plataformas de IA como concorrentes que obrigatoriamente exigem uma escolha exclusiva.

Podemos conhecê-las, compreender seus pontos fortes e selecionar a alternativa mais adequada para cada necessidade.



Criando jogos com Lovable

Outro momento interessante da apresentação foi a utilização do Lovable para demonstrar a criação de jogos e experiências interativas.

A proposta era mostrar que a Inteligência Artificial também pode ser uma ferramenta de experimentação, criatividade e aprendizagem.

A partir de descrições em linguagem natural, podemos orientar a construção de interfaces, mecânicas de interação e funcionalidades que ajudam a transformar uma ideia em algo visual e utilizável.

Para quem está começando na programação, esse tipo de experiência pode representar uma excelente porta de entrada.

O estudante consegue visualizar rapidamente o resultado de suas ideias e, a partir disso, passa a fazer perguntas mais interessantes:

Como essa aplicação funciona? Onde os dados estão armazenados? Como os eventos são executados? O que acontece quando o usuário clica em um botão? Como melhorar o desempenho? Como testar e proteger a solução?

E é justamente nesse processo de curiosidade, experimentação e validação que acontece uma parte importante do aprendizado.

A IA não elimina a necessidade de conhecimento técnico

Esse foi um dos conceitos que procurei reforçar durante a palestra.

As ferramentas de IA estão reduzindo o esforço necessário para executar diversas atividades de desenvolvimento, mas isso não significa que arquitetura, programação, segurança, infraestrutura e engenharia de software tenham deixado de ser importantes.

Na realidade, considero que estamos diante de um cenário em que essas competências se tornam ainda mais relevantes.

Uma IA pode gerar uma aplicação com dezenas de arquivos, componentes, bibliotecas e integrações. Entretanto, alguém precisa compreender se aquela arquitetura é adequada, se os dados estão protegidos, se o código é sustentável e se as funcionalidades realmente atendem à necessidade original.

Uma interface visualmente bonita não significa que o software esteja pronto para produção.

Da mesma forma, uma aplicação que funciona em um primeiro teste não está necessariamente preparada para lidar com erros, crescimento, segurança e manutenção.

A Inteligência Artificial pode acelerar a construção de uma solução, mas a responsabilidade pela qualidade da engenharia continua sendo nossa.




O futuro do desenvolvimento também passa pela capacidade de fazer boas perguntas

Um dos aspectos mais interessantes dessa transformação é a importância crescente da comunicação.

Saber formular um problema, dividir uma necessidade em etapas, escrever requisitos objetivos e interpretar os resultados produzidos pela IA está se tornando parte do conjunto de habilidades de um profissional de tecnologia.

Na prática, estamos aprendendo uma nova maneira de trabalhar.

Em vez de concentrar todo o esforço na escrita manual de cada linha de código, podemos dedicar mais tempo ao planejamento, à arquitetura, à validação, à segurança e à experiência de quem utilizará a solução.

Isso não significa abandonar o aprendizado de programação. Muito pelo contrário.

Quanto maior for o conhecimento sobre algoritmos, estruturas de dados, redes, APIs, bancos de dados, sistemas operacionais e segurança, maior será nossa capacidade de orientar e avaliar o trabalho produzido pela IA.

Uma experiência de troca de conhecimento

Participar da Tech Week da FATEC Bauru foi uma excelente oportunidade para compartilhar experiências e demonstrar o potencial dessas tecnologias em situações práticas.

Acredito muito na importância de aproximar estudantes e profissionais das ferramentas que estão transformando o mercado.

Mais do que apresentar produtos, meu objetivo foi incentivar os participantes a experimentar, questionar, construir e aprender.

Se hoje conseguimos transformar uma ideia relacionada aos cuidados com nossos pets em um projeto de aplicação, ou explorar a criação de jogos com apoio de IA, imagine quantas outras necessidades podem ser atendidas com criatividade, conhecimento e boas ferramentas.

Quero deixar meu agradecimento à FATEC Bauru, à organização da Tech Week e a todos os participantes pela oportunidade de compartilhar conhecimento.

Continuo acreditando que a tecnologia se torna ainda mais valiosa quando conseguimos transformá-la em aprendizado e soluções que fazem sentido para as pessoas.

E uma coisa é certa: estamos apenas começando a explorar o potencial da Inteligência Artificial no desenvolvimento de software.

A IA não substitui a necessidade de pensar. Ela amplia nossas possibilidades de construir.








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